fale aos males

as sombras neste vasto vício, em efeito fatal,
em forma inválida ao mesmo lugar comum.
feito o amor tão nobre quanto pictorial,
alçado em instantes que sustentam ímpeto nenhum.

me desculpe pelos indícios de omissão,
mas não sei mais os rastros dessa mobilização.
que me aquece em rápido ritmo mordaz,
mas que se vê sempre perdido na antítese capaz.

prenúncio às ruínas

a translação dos fatos evidenciará as árduas
noites e dias repassados em antemão,
pois não sou eu quem sobrevoa a via de cada
urgência de se transparecer em satisfação.

pois há um inerte sofredor em tais
idéias que se desconjuram em suicídio:
quisera novamente salientar fenomenais
apostas de que tudo faria tanto sentido.

a rota de colisão proporcionará mais nada
do que o atraso e o progresso da mobilização
de uma única verdade tão descompassada
que fere a inteligência deste valor pagão.

mas tudo lhe remete à maldita condição
em amplo espaço para se abominar
das tragédias que visam organização
em frestas nas mentes em prenúncio às ruínas.

caos na terra.

você se veste em caos e a aguarda:
ela sabe o caminho expresso à redenção.
se aprovará enquanto o céu desaba:
o caos elege e se cria em adoração.

mas sei que apenas busca no que pensar,
e ela certamente lhe fará viver e sonhar.
entretido em deslumbres alheios, em tempo
à descaracterização deste meio, inteiro.

e entre todos, sua presença em destaque:
ela despreza os meio inúteis à direção.
se esquizofrenia é ao que o céu reage,
o caos na terra é, ao cotidiano, inspiração.

não se vá

não dê ouvidos à redenção, pois quero estar ao seu lado
quando este tumultuado alento me despertar dos temores,
dos resquícios das descobertas deste achado que tive
em mil aplausos que inexistem nestes corredores.

no lampejo deste céu e desta idéia está o meu ato
que, juro, não obedeceu ao circo dos horrores,
mas não revejo nada do que pressenti em misto
de vultos e mil ações envoltas nos delírios multicolores.

não se vá, e não me deixe nas lembranças que me acho,
pois pretendo me esquecer de tudo em pleno assassinato
que me fere, me digere, me faz sorrir sem gritar,
como em um simples e comodo cárcere privado.

passos tão falsos

meio-dia em uma tríade de sóis:
discorramos sobre estes passos em falso.
minha mente tanto discute, sem voz
tantas ações, e manteremos cuidado.

meia-noite em uma síncope de dó:
olhemos os seus passos tão falsos.
minha revolta tanto aliena só
evitando um tal acidente anunciado.

em cena mítica

os ecos se dissolvem neste dormitório,
a distância se transforma em um novo lar.
a ambiência correta de algo aleatório
que se faz com mãos no rosto em cena mítica.

mas sei que tudo se assemelha com pavor
quando não há como administrar
essas mentiras e essa opinião
de quem não se calou em sua indolência.

mas sei que tudo se resume à essência,
quando não há mais tanta reação.
pois não existe mais em que se apoiar
em tantas calúnias que camuflam as pessoas.

os trechos são declamados neste purgatório,
a instância se transforma em uma nova prática.
a ambiência correta de algo em que me invoco
onze horas em mais uma cena mítica.

heart and vessels

i was crossing with my heart and vessels damaged by my youth,
a bloodbath to wash away the truth, on an amen in my mind.
pure pressure like a fountain flying a thousand meters across the roof:
there was god astonished to see the reactions that i was unable to find.

and i pray as loud as i can pray, but god is so busy watching me,
and there’s no heaven that can solve this issue of my reality.
pure words like a mountain rising endless through my soul:
there was you smiling and to hell with god, my damaged heart is the truth.

and as long as i can travel away from this piece of land,
can i have a comfort lecture written on the palm of your hand?
because i know, it’s cheating by the sights of the mighty sky,
but i die from monday to sunday, and everything’s so fine.

letargia, utopia

estão me apontando uma direção
que se inverte pela opinião do dia.
e ainda me confundo por essa insatisfação
de somente me dissolver em nostalgia.

me afobo para poder relatar
o que o futuro não me faria em favor.
discorro sobre a triste letargia
que explica o que o presente me negou.

esta pressa me desbota o que sobrou,
junto às mentiras que se associam,
do pastiche que tudo se tornou
nestes imensos períodos de utopia.

quarenta e cinco horas

sentir-se no fervor dos acontecimentos,
residir neste momento, e me ambientar.
estimo assim como o reinvento
e me dignifico às palavras.

pois sou você quando percebo
quarenta e cinco horas a correr.
e se não for, eu só lamento
e percebo a fuga me reaver.

passado como em uma órbita,
timing in sync e tudo a se pulverizar.
eu mesmo me vendo do lado de fora
me nego ao cúmulo da estratégia.

céu em só

os muitos, longos olhares em que fui teste,
sob o céu em que quase sempre me confundi.
entre dois planos e entre uma alicerce,
ainda teimo em pensar no que sou aqui.

os fatos, chatos insultos que me escurecem
a vista que quase sempre me arrependi.
a certeza é para mentes que se merecem:
entre vida e morte, é bem certo que nem nasci.

eu pulo dias, mas sem antecipar
as manhãs sem sol imersas neste dó.
mas o mais grave do que o dia irradiar,
é a certeza de que falhei em estar só.

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pensamentos destoados.

por roberto iwai.

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